Góticos

O termo “gótico” surge inicialmente em Paris, a partir da reconstrução da Abadia de St. Dennis, centro católico da França. A Catedral de Notre Dame  – também  em Paris – adota um estilo muito próximo ao de St. Dennis, com destaque para a planta baixa, mais compacta, e o sistema de construção de abóbadas com três nervuras em vez de duas. A extremidade de cada uma das nervuras corresponde a uma coluna que desce até ao assoalho da nave central, tornando as formas mais leves, sem adornos. Na parte externa da catedral, a suntuosa decoração escultórica torna-se extremamente minuciosa, alinhando as estátuas que ocupam nichos e colunas.

A arquitetura gótica, que alonga verticalmente o espaço com a intenção de valorizar a ordem divina, elimina a solidez das paredes românicas e inunda de luz o interior das igrejas plenas de vitrais coloridos. O gótico inglês adota algumas das características do gótico francês, tais como a construção de janelas acima da entrada principal, ou o uso de ornamentos nas fachadas. Também são famosas as igrejas góticas italianas com estruturas leves e imponentes. Dentre elas, mencionamos a Igreja de Santa Croce (Florença), além da própria Catedral de Florença, com sua cúpula octogonal de grandes proporções.

Na escultura, destacam-se os famosos portais da Catedral de Chartres (França), prezando o sentido de ordenação, simetria e clareza, em substituição aos movimentos angulosos das esculturas românicas anteriores. Apesar do aspecto de imobilidade dessas estátuas, as expressões suaves demonstram bastante realismo. As esculturas da Catedral de Reims (Paris) revelam mais leveza e movimento do que as de Chartres, que beiram o classicismo quando representam mantos drapejados nos corpos sinuosos das figuras.

As portadas italianas representam episódios bíblicos com relevos sólidos. São dessa época (em torno de 1400) as portas do Batistério de Florença, realizadas por Lorenzo Ghiberti, com imagens que emergem do fundo plano em direção ao espectador, antecipando a revolução visual renascentista do século XV. Já os escultores do norte da Europa (alemães e flamengos) trazem para seus respectivos países as tradições nacionais que contêm um apelo emocional muito maior do que o encontrado na tradição francesa ou italiana. Dentre as principais obras, citamos a Pietà, do início do século XIV, escultura trágica que nega completamente os valores clássicos de beleza tradicional.

Nas catedrais, o uso de vitrais não traz grandes inovações estilísticas, resistindo mesmo a qualquer tentativa de tridimensionalidade representativa. A finalidade dos vitrais é aumentar a luminosidade no interior das igrejas, aproveitando-se da nova técnica que permite a construção das paredes mais finas, e a inserção de maior número de janelas nas construções.

Na pintura, o italiano Giotto provoca uma verdadeira revolução espacial, ao criar artifícios de ilusionismo a partir de cenas representadas em vários planos. O pintor explora a ilusão de profundidade através de volumes combinados, provocando resultados convincentes e bem próximos da realidade. Já a pintura gótica do norte europeu (Broederlam e os irmãos Limbourg) destaca sutilmente os detalhes dos elementos pictóricos, produzindo uma sensação de leveza bem próxima à da iluminura.

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Arte gótica.
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Arquitetura românica e gótica.
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Arquitetura românica e gótica.Artistas medievais e renascentistas.
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