Expressionistas Abstratos

Após a Segunda Guerra Mundial, vários artistas e intelectuais europeus refugiam-se nos Estados Unidos, impulsionando a cultura artística desse pierís. Especialmente em Nova York, uma geração de artistas, logo denominados expressionistas abstratos pelos críticos, adota uma pintura não figurativa que, apesar das características inovadoras, ainda registra influências dos movimentos expressionista, cubista e surrealista europeus. Dos expressionistas alemães os americanos herdam o gestual que culmina na abstração; dos cubistas, as formas ordenadas no plano; e dos surrealistas, o “automatismo psíquico”. Os principais expressionistas abstratos: Pollock, De Kooning, Still, Newman e Rothko, Gorky, Hoffman, Gottlieb, Motherwell, Kline e Guston, apesar das diferenças, apresentam como ponto comum as grandes dimensões das telas que absorvem o espectador no exercício da pintura.

Os artistas europeus Miró, Matisse, Picasso e Léger são de extrema importância para os artistas americanos, conforme nos demonstram os quadros de Jackson Pollock, expoente dentre os expressionistas abstratos, cuja unidade cor/forma deriva das experiências cubistas e fauvistas, e cujo interesse pelos princípios arquetípicos remetem a Masson e Miró. Como resultado, a atividade de Pollock apresenta uma pintura densa, em cor e textura, expandindo-se nas telas que, colocadas no chão, facilitam o dripping, método inventado que consiste na tinta respingada e jogada com pincéis secos, pás de pedreiro, varetas e demais utensílios. No caso, outros materiais podem ser acrescidos à tinta, cuja fluidez permite os efeitos acidentais e os entrelaçamentos que resultam do abandono ilusionista da pintura.

Outro artista da maior importância no Expressionismo Abstrato é Willem De Kooning, cujas obras com imagens ressonantes em preto e branco, carregadas de emoção, procuram resolver dualidades tais como imagem-fundo, pintura e tela, cor e desenho, ilusão e superfície plana, espontaneidade e construção. Nas suas telas, a figura invade o fundo, e vice-versa, deixando entrever as passagens da tinta que escondem e revelam em relances o objeto representado.

Já Clifford Still difere radicalmente de Pollock e de De Kooning. Alguns críticos apontam na sua obra uma afinidade com Monet e Turner, no uso da cor pura e densamente valorizada. Still utiliza planos irregulares, colocados assimetricamente sobre fundos castanhos e terrosos, nas cores amarelo ácido, branco, azuis escuros e opacos, cinzentos e pretos, distanciando-se da herança artística mediterrânea. Por sua vez, as obras de Barnett Newman, outro artista expressionista abstrato, apresentam estreitas faixas verticais, estabelecendo relações ambíguas entre a borda real e as vibrações dos campos de cor no quadro.

Em 1943, Mark Rothko e Adolph Gottlieb adotam uma simbologia que oscila entre a abstração e as feições ou as formas humanas nas telas. Nas pinceladas espessas, flechas e sinais aritméticos demonstram afinidade com a obra de Paul Klee. Com o tempo a pintura de Rothko passa a apresentar formas geométricas simplificadas, esbatidas como véus que parecem flutuar no fundo macio, profundo e opaco, estabelecendo relações que eventualmente remetem ao silêncio e à introspecção.

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Jackson Pollock I.
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Jackson Pollock II.
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Jackson Pollock – Ovation.
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Willem de Kooning.
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Mark Rothko I.
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Mark Rothko II.
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Clifford Still I.
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Clifford Still II.
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