Orientais

A referência aos povos do Extremo Oriente – chineses e japoneses – denota a distância geográfica em relação mundo europeu, gerando uma série de mal-entendidos em relação aos aspectos culturais destas complexas e milenares civilizações, que datam de até 5.000 anos. Na verdade, ambas as culturas citadas permanecem encerradas em si mesmas durante milênios, com raros períodos de exceção, entre eles o que ocorreu entre 1275 e 1292, graças à permanência do veneziano Marco Polo em território chinês. Mesmo após as missões jesuíticas dos séculos XVII e XVIII, a China e o Japão seguiriam sendo idealizadas pelos europeus. Por sua vez, os orientais consideraram os europeus como bárbaros, atribuição que contribuiu ainda mais para o afastamento entre os continentes.

Em relação à arte, os chineses incluem, além das pinturas sobre vários suportes (madeira, papel, seda e demais tecidos), uma enorme variedade de imagens, esculturas, objetos utilitários e porcelanas, geralmente relacionados à vida social e às crenças religiosas. Mais especificamente quanto à pintura, na China e no Japão ela é impregnada de aspectos éticos e filosóficos que não se dissociam da técnica, dos materiais e do gesto do artista. Considerada uma arte sagrada, no mesmo nível da poesia, graças ao surgimento do budismo na China a pintura se mescla às práticas da meditação que conduzem ao reconhecimento da fusão entre o artista e a natureza. Balizada por determinadas regras e temas, permanece na pintura extremo-oriental uma tradição que foi sempre observada pelos artistas ao longo dos séculos. Só com a influência da caligrafia, modos de expressão mais livres passam a ser adotados, considerando os traços simples capazes de capturar o dinamismo da natureza.

É notória a influência que as xilogravuras japonesas do período Edo (1603-1868), ukiyo-e – traduzidas como “pinturas do mundo flutuante”, exercem sobre os artistas europeus a partir de meados do século XIX. Dentre aqueles que se renderam à sofisticação dessas estampas mencionamos: o pintor Édouard Manet (1832-1883); os impressionistas Claude Monet (1840-1926), Edgar Degas (1834-1917) e Auguste Renoir (1841-1919); os pós-impressionistas Toulouse Lautrec (1864-1901), Paul Gauguin (1848-1903) e Vincent Van Gogh (1853-1890). Sob a influência oriental encontram-se também os cartazes dos artistas do movimento Art Nouveau (1890-1910) e os da Escola da Bauhaus (1919-1933), só para citar alguns.

As gravuras do ukiyo-e, que trazem para o público europeu o cotidiano de um local exótico e distante, foram inicialmente consideradas inferiores às pinturas ocidentais, e por isso taxadas de “primitivas”. Mas aos poucos essas estampas japonesas começam a despertar a curiosidade dos artistas e críticos europeus, que percebem suas possibilidades representativas além das construções perspectivadas e das formas anatômicas vigentes no ocidente, desde a renascença.

Podemos afirmar que não cabe somente à descoberta da fotografia a mudança de paradigma que passa a explorar os ângulos e os efeitos mais propícios para as estratégias visuais impressionistas. As xilogravuras japonesas também merecem o crédito, ao combinar texto e imagem em montagens recortadas, assimétricas, que tecem relações arbitrárias de tamanho entre as figuras. Todas essas variáveis nas estampas japonesas remetem a outro ordenamento espacial, que privilegia os cheios e vazios em vez das construções geométricas que simulam os relevos e as profundidades das pinturas europeias.

Vídeos

Arte na China, Índia e Japão.
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Pintura chinesa.
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Pintura caligráfica chinesa.
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Porcelana chinesa.
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Guerreiros de XIAN.
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Mandala tibetana com a presença do Dalai Lama.
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Construção da mandala tibetana.
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Série sobre pintura japonesa.
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Oriente e Ocidente I.
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