Pré-escrita

Inicialmente remetemos às obras primas encontradas nas cavernas – esculturas, ornamentos e pinturas  – algumas datando de 35.000 anos, nas quais reconhecemos os mesmos instintos e urgências do ser humano de hoje, mesmo quando por certos hábitos ele ainda não se distinguia claramente dos animais. Surgidos muito antes da escrita, cujos primeiros vestígios datam de 3.500 A.C., encontrados na civilização suméria, os povos da pré-escrita (ou pré-história) são classificados em dois períodos: o Paleolítico (de 35.000 até 10.000 AC), composto por povos nômades, e o Neolítico (até aproximadamente 4.000 AC), composto por povos sedentários.

As primeiras representações pictóricas do período Paleolítico na Europa só foram descobertas em finais do século XIX, mais precisamente nas cavernas de Altamira (Espanha) e, depois na África, no norte da Ásia, no norte e no sul da América e Austrália. São desenhos e pinturas que podem ser vistos nas reentrâncias mais profundas das cavernas, basicamente representando animais (bisões, cavalos, antílopes, etc.). Só de modo ocasional foram encontradas figuras humanas esquematizadas, sem o mesmo naturalismo dos animais.

Com especial interesse examinamos as pinturas de Lascaux, na região de Dordogne (França), achadas por acaso no ano de 1940. Em Lascaux, as representações dos animais nas superfícies irregulares das paredes acentuam a sua tridimensionalidade, demostrando por parte do artista uma aguda capacidade de observação da natureza e, consequentemente, um possível e quase inacreditável conhecimento da perspectiva e do trompe l´oeil. Os desenhos simplificados, e fortemente marcados pelo traço de contorno, foram elaborados com poucas cores (ocre amarelado e avermelhado e preto), a partir de pigmentos animais e minerais.  As ferramentas utilizadas variam, entre pincéis feitos com o pelo de animais, até tampões de pele que servem como máscaras isolantes. Sobre as técnicas, a tinta soprada através de tubos cria efeitos de volume, enquanto que as incisões com o sílex remetem a algumas técnicas de gravura. Percebemos nas pinturas a superposição de animais em movimento, indicando a passagem do tempo, enquanto que os registros dos traços, grades, flechas ou pontos fazem referência às ações da caça, sobrevivência e morte.

Alguns estudiosos atribuem implicações místicas às pinturas de Lascaux, que parecem indicar as projeções mentais dos xamãs, provavelmente envolvidos em uma espécie de culto. Ritos do gênero podem ser encontrados atualmente em outras culturas, tais como a dos aborígenes neozelandeses, ou a dos antigos povos indígenas da América do Norte. Outra interpretação plausível para essas pinturas diz respeito às alianças entre clãs, representadas pelos pares de animais distintos (touro e cavalo, por exemplo) que indicariam laços grupais ou matrimoniais.

No período Neolítico, o advento da agricultura determinou a formação de aldeias e a domesticação de animais. A partir deste momento, o homem cria recipientes de argila decorados com desenhos abstratos, enquanto que os artefatos de pedra, madeira ou couro auxiliam-nos no transporte e estoque de cereais. Máscaras e pinturas corporais fazem parte dos rituais de xamanismo, referentes às disputas de território e outras eventuais cerimônias da tribo.

 A pintura neste período tem um papel subalterno, visando colorir esculturas ou o próprio corpo humano. Exceção feita às tribos da América do Norte, que desenvolvem técnicas de pintura na areia, exigindo grande habilidade. Caracterizadas pela impermanência, essas pinturas abstratas requerem sucessivas intervenções do artista, no sentido de fixá-la durante o período que julgar necessário para o cumprimento do seu ritual.

Vídeos

Pintura rupestre (geral).
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Cave of the Forgotten Dreams (Werner Herzog).
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Arte rupestre. Lascaux (Fundação Bradshaw).
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Arte rupestre, Lascaux.
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Arte rupestre, Altamira.
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Arte rupestre, Cantabria.
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Arte rupestre, África.
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Arte rupestre, Austrália.
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Arte rupestre, Brasil (geral).
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Arte rupestre, Brasil (MG).
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