Orfistas

Apesar de muitas das obras da década de 1910 ainda apresentarem pinturas com imagens reconhecíveis, existe um claro posicionamento, principalmente por parte de Délaunay e Léger, no sentido de elaborá-las a partir de uma estrutura dinâmica em consonância com a visão de mundo moderna. Portanto, essa visão que quer estabelecer correspondência entre o mundo externo e interno e, consequentemente, o pensamento científico e filosófico aos processos criativos dos artistas, tende a fragmentar as formas em linhas e cores, aproximando-se das formas abstratas.

No contexto da ciência moderna, que concebe a mutabilidade da matéria na presença de uma energia dinâmica que anima todos os seres, não surpreende que artistas como Kupka aproximem sua produção da cultura oriental, que já previa o dinamismo há milênios na sua concepção de mundo. O filósofo Henri Bergson, que muito influencia o pensamento plástico do início do século XX, denomina essa energia de força vital nos seus escritos.

Em Kupka, as formas circulares constituem a base dos quadros. Outro artista que merece destaque nesse momento é Picabia, pintando formas abstratas que parecem flutuar no espaço, criando a ilusão de peso com a cor. Já Robert Délaunay articula o movimento baseado na cor, resgatando a tensão resultante dos contrastes impressionistas agora aplicados em formas dinâmicas e circulares. Esta nova maneira de compor e organizar a superfície do quadro influenciará Mondrian (Neoplasticismo) e Malevich (Suprematismo), ambos artistas adeptos da Teosofia.

Fernand Léger, outro importante integrante do movimento orfista, acrescenta à fragmentação cubista a visualidade das máquinas e da paisagem urbana, em cores primárias ou metálicas com efeitos de luz. Nas suas telas, figuras simplificadas e desconexas adquirem movimento e vigor, aludindo ao progresso científico tão eficazmente explorado pelos artistas do movimento futurista.

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Fernand Léger.
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Léger / cidade.
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Sonia Delaunay.
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